Tempo de praganas

Nunca é demais falar nestas malvadas!

Até porque ainda temos tutores que vivem na doce ignorância acerca deste diabo do mundo vegetal, que merece ser exposto, e será exposto! 😡
Ora bem: Lembram-se de quando na escola primária (ou secundária, dependendo de quão infantilóides fomos) atirávamos umas pontinhas de ervas às costas uns dos outros para ver quantas ficavam agarradas e “quantos namorados/as” tínhamos?
São praganas (Serugas, no Alentejo)! 🌾

Pelas características físicas destas sementes de gramínea – é isto que elas são, em vocabulário mais científico, éramos todos mais ou menos poligâmicos, especialmente se usássemos camisolas de malha, pois estas sementes onde se agarram, dificilmente caem, e só avançam, nunca recuam.
(Como eu, quando alguém diz “Mousse de chocolate branco”. 😋)
Nas camisolas de malha, é um mal menor, pior é que nos nossos queridos amigos de 4 patas as praganas também entram, e não é pouco!
Uma vez que se prendam no pêlo, ou se alojem numa prega, abrem caminho para a frente, furam pele, músculo, causam abcessos e migram pelos tecidos sendo um verdadeiro flagelo.
Hoje em dia, em vez de “quantos namorados”, nós, pessoas dos cães, conseguimos quase prever “quantas sedações podemos precisar para os nossos cães”, pois muitas vezes elas são impossíveis de retirar em casa e precisam mesmo de atenção por parte dos tios das batas brancas! 🥼

Enquanto Médica Veterinária, já tirei praganas dos seguintes locais:
Olhos – Ouvidos – Gengiva – Axilas – Ânus – Pénis – Vulva – Entre os Dedos (um Best-Seller) – Subcutâneo em todo o lado, nos cães de pêlo comprido – Nariz (o Horror total).
Para não falar nas outras localizações que não tive o desprazer de ver, mas outros colegas tiveram, como alojadas no interior do tórax, depois de terem entrado pela axila.
Em suma, são o flagelo da humanidade vindo de uma divindade qualquer que odeia cães ou quer que os veterinários ganhem dinheiro, mas nem nós, veterinários gostamos delas!
Por mim acordavam todas amanhã com as pontinhas maléficas rombas, que eu era mais feliz! 🙌🏼

Mas sendo isso um desejo pouco realista, o que podemos fazer para reduzir o risco de travar conhecimento íntimo com elas?
– Olhem bem para as fotos, para as reconhecerem no pasto!
– Evitem zonas de pasto alto, e não deixem os cães ter zoomies nas ervas altas, nem andar a farejar essas zonas
– Fiscalizem os vossos cães diariamente, escovem, verifiquem entre os dedos!
– Nos cães de pêlo longo peçam aos vossos groomers que rapem as patinhas ao máximo, quanto menos pêlo houver, menos elas se conseguem agarrar
– Cães de água, caniches, e outros cabeludos: a partir de agora e até Setembro, mais curto é mesmo melhor! Especialmente se forem passear ao campo!
– Uma conjuntivite súbita? Uma otite súbita só de um dos lados? Espirros súbitos e incessantes depois de andar nas ervas?


Desconfiem!! O vet é o vosso melhor amigo na deteção de praganas e uma sedação pode salvar um tímpano e poupar meses de tratamentos!
Se tiverem dúvidas ou precisarem de ajuda, as veterinárias do Clã do Cão estão sempre disponíveis para vos ajudar. 💚
Na foto, os dois tipos de pragana que existem nos nossos pastos, ambas igualmente merecedoras do nosso asco.

 

Artigo de Luísa Fechner

Clã do Cão

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